Eu sou o segredo dos solitários da noite
Aquele que tem olhos nublados
Pois daquele que vem sempre ao lado
Da escuridão do meio-dia do corpo
Que faz do inverno o sol profundo
Da solidão colhe e seme pés surrados
O jogo perde o feitio:
O amiúde estraçalha o sono
O sorriso escarnece a morte
O deitar-se contempla a vida
Anoiteceu dentro de mim e eu vi as mesmas faces
Encontrei-me com a criatura do lado vermelho
Sortilégio foi o que nunca se rompeu em escárnio
Irrompe o som de um grito negro, sórdido!
Nuvem... anuviado!
Eu fui aquilo que os poetas ordinários sempre quiseram ter
Almejado por todo aquele que habita o animal das ruas
Não há mapa que aponte o meu seio
Não há homem que ousou isto ser
E eu levo comigo as glórias escondidas
A derrocada de um lábio trêmulo
A utopia de uma lágrima sincera se quer
Se quer mesmo me ousar
Te trago meu mais puro símbolo extraviado:
Lábios! Lábios! Lábios!
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