Parece cocaína, mas é só tristeza. Na verdade não é nenhum dos dois. Gostou de saber que pessoas inesperadas se preocupam, mas a tempestade que se encerra em seu peito não cessa de jeito nenhum. O fez pesar os pensamentos de maneira desnecessária, inflamado de ciúmes, inflamado de sentimentos, inflamado de confusão, louco de medo, perdido na temida segurança de um beijo que faz gemer de saudade, de paixão, tesão e amor que não se perde nem se acaba, apesar da teimosia.
Quando fez amor não conseguiu olhar na cara, não conseguiu suportar olhos nos olhos diferentes, sôfregos, estranhos. Gozou dentro, de quatro. Introspectivo, não conseguia se erguer, somente após a cachoeira de palavras jorrar pôde enfim amar por um momento que infelizmente precisava acabar.
O que se seguia após era um encontro quebrado, por isso triste, sonolento. O gole da cerveja gelada e cara o fizeram animar-se.
— Deixa de ser alcoólatra, tem vergonha.
Não teve coragem de dizer para ninguém o que queria de verdade e isso lhe era uma coisa estranha: não ter coragem. Não tirava da cabeça a ideia corrosiva da mentira engolida. Quando fingiu acreditar foi o mesmo de quando Ismália enlouqueceu e agora essa tempestade.
— Deixa chover.
— Ai, meu deus. Isso me faz ter coragem pra deixar chover mesmo. Mas odeio me sentir vulnerável, você sabe.
Por dentro tudo dói, arde o peito, queima as entranhas. Arde o desejo, queima a língua com a garganta banhada pelo gozo quente e complacente, pois está muito cansado. Cansado do peso da cabeça, desse ano de 2014 de fins e recomeços e reencontros e rompimentos, essa confusão toda, as pessoas perguntando as mesmas coisas, dizendo as mesmas coisas e a teimosia negando-lhes a razão.
“Eu me sinto tão frio
Com vagabundas e gim
Essa bagunça em que nós estamos”
Passou o dia inteiro ouvindo vômitos enquanto permanecia sentado, no ar condicionado, comendo o que aparecia. Por que essas pessoas só sabem falar sobre esses mesmos assuntos já tão banais? Deveria se envolver ou simplesmente fingir que não se importa. Fingiu não se importar e olhou o teto. Para não dizer que não se implicava, analisou. Antes disso se encontrava em palavras macias de um olhar sincero que gostaria muito que se estendesse.
— Tu tava numa vibe muito teenager.
— Eu?! Como assim?!
(...)
— Ah, mas não, isso não tem nada a ver. Isso é o que aparece pra vocês porque é o mais fácil de ver, né. Mas não, nada a ver.
(...)
— Ficamos preocupados, todo mundo que leu, que viu aquilo no twitter.
— Ah, foi só uma experiência acho que necessária, mas nada a ver, não é minha vibe.
(...)
— Vocês foram as grandes mudanças na vida um do outro e se acontecesse seria massa.
(...)
— Sozinho não, né. — risos. — E o que o Anderson anda fazendo da vida além de promover os cabelos bonitos dele?
Porém, apesar de tudo
“I feel so cold
On hookers and gin
This mess we're in”
E a tempestade dentro de mim se demora em não passar, preciso chorar, nos seus braços, de preferência.
A sobriedade de uma lucidez não etílica, nem com o sistema nervoso central estimulado:
Irrita-me, me banha e me chama [e me beija], mas teima em procurar, nas minhas palavras motivos que justifiquem não mais querer viver, pois agora enxerga o mundo embaçado por uma redoma que apesar de necessária jamais funcionará conosco, pois o mesmo pensamento sempre retornará quase como um amor fati porque apesar de insistir numa aleatoriedade inventada eu vou te acompanhar, pequena, menina mulher da pele preta. Mesmo neste momento sentindo-me louco, quebrado, à beira de um grito alto demais para ser ouvido com toda essa bagunça em que nós estamos. Estou louco de ciúmes, estou louco de vontade de te morder com meu sorriso, de te bater com meus dentes, mas não quero machucar, é só a vontade de deixar marcas porque não suporto outros elogiando o sorriso que eu beijei e fotografei não só com as minhas retinas, que beijei e fotografei com o nosso amor em espaços tão caros a nós, que só nós entendemos, que só a nós deveria pertencer e referenciar, mas que vem à público sem os devidos créditos, nem mesmo o mínimo senso a não ser o meu. Eles não fazem ideia e você faz questão de lhes salientar que não precisam. E se a teimosia da insegurança que desemboca na loucura de fazer tudo que se pode pela frente reina sobre o imperativo apego ao amor que sim, é infindo, é porque você jamais pisará no passado e cairá no futuro pelo simples fato de insistir em negar o presente, que jamais será passado, nem mesmo na teimosia de invenções e mentiras protecionistas que não cabem sequer nas fantasias superficiais de relações humanas deveras complicadas.
Cala essa boca, para de falar besteira e rir dessas besteiras, se envolver com besteiras, joga essas pessoas fora que só te dão trabalho desnecessário e me beija, pois os meus braços, como bem sabe, sempre será o acolhimento de paz e tranquilidade, onde seus demônios vão embora e são exorcizados enquanto você se contorce com olhos virados para o além enquanto estou dentro de você, profundo e quente, como o nosso amor indelével.
Cala essa boca, para de falar besteira e rir dessas besteiras, se envolver com besteiras, joga essas pessoas fora que só te dão trabalho desnecessário e me beija, pois os meus braços, como bem sabe, sempre será o acolhimento de paz e tranquilidade, onde seus demônios vão embora e são exorcizados enquanto você se contorce com olhos virados para o além enquanto estou dentro de você, profundo e quente, como o nosso amor indelével.
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