Recebi isto por encomenda no fim da tarde, era uma despedida de algo:
A mistura de sofrimento com solidão é o que chamam de sofreguidão. Quis mel, quis um corpo, quis um beijo, quis alma, quis coisas demais e tive tudo isso. Nem sempre se sabe dar e dificilmente se sabe lidar com o que se recebe e de fato se tem, porque “o homem que diz dou não dá, porque quem quer mesmo não diz (...) porque ninguém dar quando quer”.
Amanhã, se eu estiver vivo peço que queime isto, mas que nunca esqueça.
Encontro-me deitado no chão feito uma folha seca e acaba de entrar uma esperança pela janela. Verde, contrasta com o cinza do piso, com o branco da minha alma e com o negro do meu coração. Que observação mais piegas.
Tenho um filho, você não sabe. Mas agora fique sabendo, se chama Rafael; mas poderia se chamar Caio, como você gostaria.
Javé disse certa vez que o cinema é algo divertido, ver; como o toque na nuca e nos cabelos.
Se essa rua não fosse minha porque aqui moro, eu mandava explodir inteira, comigo dentro de casa, ajoelhado no canto do quarto. Nu, no chão frio de cerâmica. Banhado pelas mentiras engolidas à força.
Perto demais, eu não te amo mais. Porque você não quis acreditar em mim. Não se justifica quando nem mesmo o nome verdadeiro se falou. Mas o que importa? Somente imbecis sabiam, nenhum deles era amado. Não é tão fácil compreender. A mulher muitas vezes é isso mesmo e não é culpa não serem forjadas no coração da simplicidade, não é fácil de lidar.
Apenas uma noite. É verdade, mas doeu e ficou pra sempre. É sobre mágoa, sobre covardia, sobre peso de uma culpa partilhada, sobre a dor não diluída em dois, mas sim exponenciada.
Javé Salva, a cena mais triste do mundo no dia 7 de novembro.
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