terça-feira, 5 de agosto de 2014

Teu Cabelo na Minha Cama

Você foi embora e, orgulhosa e ressabiada, fez questão de deixar aberta uma porta que só você tem o poder de abrir e fechar. Deixou a porta de minha casa aberta e a janela escancarada para que eu continuasse passando frio. Levou minha comida para me deixar morrer de fome. Entretanto, me dava água sempre que eu pedia quando tinha sede, pois você adora essa posição, adora ficar de quatro.
Desde o dia em que você se foi não cabem mais seres que voam em meu peito outrora tão povoado de liberdade. Os pássaros todos morreram, suicidaram-se todos em meus pés. Estive anestesiado e preferi as cinzas, pois eu não sei andar de pés descalços em brasas.
Você quis me machucar da maneira que pôde e conseguiu, mas meu corpo é fechado e saiba que não ando sozinho. Oxalá se fôssemos felizes... com todas as cartas na mesa.
Você sempre esteve aqui, só não podíamos nos desenvolver. Eu a abracei e atendi ao seu chamado de mulher histérica. Deixei você pôr a serpente em volta do meu pescoço sem medo.
Lhe seduzi, mas não quis ir à frente. Eu só queria lhe observar.
Não vá pensar que estou falando de você porque não estou.
E você chegou de maneira inesperada, se aproximou e me pediu abrigo, aninhou-se em meu colo e me pediu um carinho e um beijo. Ninguém lhe acompanha a não ser a sua dor que me foi mostrada de maneira terna.
A noite foi liquefeita e o universo não é nossa culpa. Ai, que se todo o amor do mundo coubesse dentro de mim! Se todo o meu desejo coubesse dentro de você e a minha espada em riste não lhe causasse confusão.
Vocês são uma só mulher. Abandonadas, mas por quem?! Mentem a mesma mentira de se sentirem puta, riem da mesma piada da solidão alheia, chupam e engolem com a mesma boca e gozam com a mesma boceta.
Sou dado a paixões e me entreguei em suas mãos, quis amar, mas amar a quem? Eu não quis nada. Se um dia eu colocar fogo em todos nós não será você a primeira a morrer incinerada, pois você queimará lentamente, como o meu amor que você quer assassinar me desprezando com sua armadura falsa, boneca de lata.
A vida na Terra é complicada, são tantas chances de erro que a alegria sempre tem de atravessar paredes através de ideações. Lá do alto deve ser bonito aqui embaixo. Conquistamos todos uns aos outros e às outras e nossos corpos se tocaram. Eu adorei beijar os seus sorrisos.
Estou atento a seguir os seus passos e o faço muito bem, pois você não consegue se esconder de mim, você faz questão de me mostrar aonde vai, apesar de fingir que não existo com sua armadura falsa de boneca de lata que não aguenta um sopro do meu coração.
A verdade é que você sempre esteve aqui porque foi de dentro de você que eu saí, estive por muito tempo dentro do seu ventre e nunca superei o desejo de voltar. Suas entranhas é o meu lugar e não há ninguém que me convença do contrário. Não vou descobrir nenhum passado que não me pertence porque o passado não pertence a ninguém. Até mesmo o passado pode mudar e não vai ser você ou eu que o fará.
Boneca de lata, eu não faço a mínima ideia do que eu sinto por você.
Mãe, eu não sei se eu te amo. 
Anderson, eu não sei quem é você, mas lave o seu cabelo, feche a boca para ver se para de falar asneiras, veja onde põe sua língua e tire esse sorriso do rosto.
Você não faz a mínima ideia do que faz! E esse é o seu maior erro



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