sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Der Steppenwolf

Jamais ousarei tocar em você, lobo. 

Algumas pessoas nunca mudam e isso sempre acontece, da mesma maneira. É sempre tudo igual, “le temps detruit tout”... Eram sete ao todo. Sete lobos em minha janela e sete beijos no pescoço dela(s), irresistíveis, irreversíveis...

A omissão para proteger as almas é o novo hobby daquelas que me circundam, de Yoko Ono à índia irritantemente conhecida, cujas ambas os familiares vem da mesma terra de mato queimado.

Se algum dia eu faltar com o respeito saberei exatamente onde devo chegar e não parece um lugar tão ruim. Se eu uivar alto demais à noite talvez acorde toda a vizinhança e os corvos então adentrem a minha morada. Mas se eu ficar sem silêncio à espreita, na estepe ou nos galhos, provocarei medo e essa não é a intenção.

Doravante o que se encerra em meu peito é um allegretto, é um amor a conta gotas, é um sussurro mudo que arde inconsequentemente.

Inefável? Inefável é o que o lobo faz no pescoço dela(s), rasga tudo! Não sobra carne sobre qualquer osso, só fica a saliva que envenena, corrói a alma.

Inconstante, o lobo desfila e come a própria carne antes que vire carniça, vomita tudo no pescoço dela(s), é insustentável.

Em sua boca há sangue, saliva, fluido vaginal e esperma; há, sobretudo, medo. 
Há doença, há prurido, há tesão.

Na lágrima quente vai embora todo o ideal de casal que é reposta com vinho seco, da parte delas com atividade e conversas em redes sociais, mas com uma identidade torta, torta como o lobo certo. Ah, a contemporaneidade! É muito pelo contrário, não cabe nada no que é pós moderno. Só cabe o que é, o que foi, o que vai ser, mas não cabe.

O lobo desfila, caminhando com os espíritos do vale dos suicidas em um monte qualquer da República Tcheca, em Praga, e canta em sua língua: Manche Menschen ändern sich nie.

Farto de beijos rápidos, só quer comer.


Nenhum comentário:

Postar um comentário