terça-feira, 12 de agosto de 2014

(Re)encontro(s)

O que vai embora
Sem vergonha, medo e remorso
Jamais se encherá
Do que foi outrora

Quando se pisa no passado
E cai no futuro
Fica junto uma saudade
Que leva longe um pecado

Fica sempre no ouvido
Babado, molhado, lambido
O som abafado de um gozo
O inquietante odor de um gemido

E nas virilhas ensopadas de luxúria
Ainda restam as marcas das mordidas
Ainda resta o cheiro de saliva
Exceto o beijo que a gente se priva

E pela porta deixada aberta 
A lua entra e faz morada
O vento sopra e beija as faces
E a cama nunca é deserta

Nas promessas descumpridas
O amor esmorece
E a paixão escurece
Em lembranças diluídas

Mas de tudo fica o fogo
Fica o torpor de um desejo constante
Inebriado no meu pau gozado de saliva
Latejando em seu sexo pulsante

No mais, estou indo embora
Já passou meu carnaval
Na quarta-feira de cinzas eu morri
Com a chama que arde em meu peito agora

No mais, estou indo embora
Fica em nós a marca de saliva
A marca de um amor interrompido
A marcar que nunca se enche de outrora

E por fim, fica o beijo
Fica a culpa e a incerteza 
Mas sobretudo a clareza
De que nada além do amor vale tão a pena

E é por isso que quando se encontra
Se sente orgulho do que foi
Se sente orgulho do que é
Se sabe a hora de abraçar
Se sabe a hora de beijar
Para celebrar o fim de um encontro

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