domingo, 20 de janeiro de 2013

Recomeço: Hiperbórea

Depois de ler e reler os devaneios alheios decidi recomeçar o que antes fazia, mesmo que de maneira quase impossível, devido a diversos fatores, porém o que não se inscreve como a razão de minha displicência por aqui.
Estrearei então com isso, pelo que lembro a última coisa escrita em papel que saiu de meus dedos queimados, e que não foi destinado a ninguém em particular como instrumento de amor:



“Olhemo-nos nos olhos, nós, seres hiperbóreos!”

É com essa assertiva dolorosa e “suicidante” que se começa um galopante romper de contravenções.
“O mundo é tudo aquilo que é um caso, mundo, mundo, vasto mundo...”
Se eu desse Adeus a tudo... (pausa para uma observação obscura e para pensar)
- Realmente não tenho o que pensar sobre isso, não há o que se pensar sobre isso.
Enquanto me masturbo intelectualmente questionando-me da existência dos seres e das coisas, questionando-me sobre o nada, praguejando contra os tais “mecanismos de poder e dominância”, procurando subversões sedutoras aos ouvidos das moças pensantes e sedutores ao meu ser frustrado, algo ocorre de errado. Defina-me o Nada, “Na verdade Nada é uma palavra esperando tradução...”. Quando meus olhos não se cegam mais com essa luz imbecil que machuca, fico inventando os mil conceitos de amores e sobrevivência, ao menos, “moralina”, não tenho. E o niilismo tão essencial ao meu existir decadente faz-me querer sorrir quando estou de cabeça baixa olhando meus amigos vermes partilhando a escassez sobrevivendo no escuro. Dando adeus a toda gramática de maneira tácita prazerosa, tento agoniar teus olhos e tua felicidade que me dói. Em desespero com um sol que nunca deixa de existir. Meu amor, você acha mesmo que o sol levanta-se por você todos os dias? O sol nunca saiu do lugar, relativamente, ele nem se mexe, continue olhando a lua hipnotizante, ou seja, apaixonante, desviando seus devaneios para os olhos de um rapaz bonito, esteja ele lhe abraçando ou pregado em uma cruz. Toda contravenção tem um pouco de “Náusea”, e não leio certas coisas por que não se pode escrever e engolir vômito ao mesmo tempo, outrora ler nauseando-se era a lei, mas que tipo de prazer faz-me te querer?
02 de maio de 2011 da contagem errada. A partir de amanhã necessito mesmo deixar de quantificar os impalpáveis e inefáveis querer-se-encontrar com meus amores, o amigo dê-me uma moeda. Tantos instrumentos nocivos que não sei por onde ir, então a agonia pautada na imundície invade-me como um súcubo louco, que loucura é essa afinal? Preciso mesmo desse cabelo, por que não posso arrancá-los um a um? Pressa não é com a gente, a “Pose” é o nosso negócio e os deuses são nossos sócios majoritários, um castigo blasfemo, o qual invade-nos a mente infeccionando e estuprando-nos em nossos próprios devaneios. Ora, afinal que são alguns pensamentos bobos quando o vento se encarrega de derrubar a todos? Olhe-me nos seus olhos e diga-me o que vê. Vês?
Não interessa-nos toda essa prática perplexiva de escolher um condenado ao julgamento enforcando-o em nossas entranhas. Malditos malogrados amargurados por toda a História, de Judas a Aleister Crowley, passando pelo próprio Jesus e Charles Manson, pobres homens. “Ei Jesus Cristo o melhor que você faz é deixar o pai de lado e fugir prá morrer em paz!” E esse peito peludo sensual exibido numa cruz agonizante suja de sangue com um título de rei? Por que não outro nariz?
Nós, seres hiperbóreos, jogamos certa vez pedras ao sol e outras vezes demos-lhe sangue e outras, frutas. E é sempre a mesma coisa, essas oscilações machucam-nos com Gramática, Matemática, Filosofia e Clitóris. Mais uma vez: A esperança? Pior atroz do Homem, deixa-nos a mercê de uma esperada bonança. Toda a nauseante e vil glória de ratos gordos e suas cidades fora dos esgotos mordem nossos calcanhares e comem nossas crianças suicidas. “Triste vocação: A nossa elite burra se empanturra de biscoito fino.” Fique longe de meus animais favoritos, pare de defecar em nossos olhos!
Essa riqueza existencial trata-se de todo um respaldo de Titãs agoniados com seres verminantes que se procriam em nossas casas. O resto todo é só um gás venenoso e uma coisa que chamamos de insanidade. Eu prefiro chamar de lucidez não-etílica. Nossas sofisticações insustentáveis fluem através de madrugadas loucas e tentativas de se procriar com fêmeas e machos próximos, sejam lá qual forem as suas espécies que se manifestam disformemente durante um dia sorridente, faça chuva ou faça sol. Com dentes estridentes que machucam os ouvidos de uma não suicida mão gangrenada. Bocas nojentas que falam sobre amor dentro de corpos que possuem sangue manifestam seu partido contra os desprovidos da consciência que lhes é ofertada com drogas, luxo, deuses e vícios.
A alienação abortada é o que nos resta de ciência consciente do ser, juntamente com a lama que brota de teus olhos em uma visão para crianças surdas-mudas, mas não cegas.
O Führer existe em toda liturgia escravizante de templos bonitos. “Ela é tudo para mim, ela é meu templo, ela é a única que me deixa triste. Eu não deixarei isso crescer dentro de mim.” Seus dedos mortos fazem-me carinho com pudor, esfacelando-me com todo o seu torpor morto. Sim, mortos existem, estão lá, estão lendo, estão escrevendo. Arranque seus olhos e corte seus braços, esconda suas mentiras enrustindo-as em suas verdades, entre pela porta estreita como um mártir zumbi. Ou junte-se ao Nada. Seja.

“Olhemo-nos nos olhos, nós, seres hiperbóreos.”

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