Erê estava lá, mas veio aqui segurando borboletas nas mãos trêmulas. Seu pranto escorria dizendo que estava cansado.
Ah! Duas almas rasgam meu peito!
Minha paixão se divide entre dois amores, disse-me Erê. Foi nesse momento em que percebi quão inerte é a vida, um simples sopro no escuro, lábios gelados que beijamos em meio ao pranto morno noturno, lábios embebidos no suor matutino vindo dos pesadelos de outros universos.
Diamantes adentram a cena, Erê dança sua macumba, agita o espaço, todos gritam, conclamam o desejo.
A carne se ergue, o sangue ferve, meus fluidos chamam minhas paixões, a dualidade desfalece e faz a noite líquida.
Oh, escuridão!
Hora de semear desejos profanos e colher edemas sexuais na noite límpida. Erê se anima novamente, adentra o espaço liquefeito e dança sua macumba.
O Pai se inscreve deslizando as ideações, os sentidos atribuídos, mas Erê responde, a macumba aumenta, Ogun de Ronda vem com a Madame das Sete Encruzilhadas.
Oh, lábios ensebados!
Gozo louco e infinito, sem limites, sem limites, sem limites, sem limites, sem limites, sem limites... por algumas dezenas de segundos... por alguns poucos minutos.
A madame canta o canto dos segredos solitários na noite.
Erê açoita os homens e mulheres por dentro da noite.
Ogun e sua espada de luz perverte as mulheres na noite.
Tudo que respiro agora cheira a união, o vento exala orgasmos.

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